Como tudo na vida, os seguros também têm um preço, a forma como chegamos a esse número já é outra questão!

Se andarmos para trás na história da humanidade umas centenas, ou mesmo milhares de anos, percebemos que o seguro é mesmo velho e assenta no seu princípio básico, o mutualismo.

Os Chineses fizeram-no (3000 anos a.C. com as caravanas de mercadorias), os Babilónios também (nos navios dos mercadores), os Romanos (em associações sociais diversas), o nosso rei D. Diniz (mais uma vez no ramo marítimo e supostamente a primeira forma de seguro estruturada de sempre) e os simples pastores em qualquer aldeia num qualquer canto deste mundo… e como é que isto funciona?

A melhor forma de entender o conceito será mesmo no último exemplo, quando todos se juntam para ajudar no azar de um membro do grupo. Neste caso, o seguro, se assim poderemos chamá-lo, funcionava quando um dos pastores perdia o seu rebanho para os lobos (o sinistro) e todos os outros pastores contribuíam com uma ovelha (o prémio) para repor a situação anterior do azarado (a indemnização).

Isto leva-nos ao outro grande princípio dos seguros: repor a situação que o sinistrado tinha antes do sinistro, mas isso é outro tema!

De forma ainda mais simples e atual, para explicar o conceito do seguro, costumo recorrer ao exemplo do Euromilhões… são muitos a pagar para alguns receberem!

Como é calculado o preço dos seguros?

Posto isto, como responder à questão: o que influencia o preço dos seus seguros?

Tecnicamente, chamaria ao assunto um atuário que, recorrendo a cálculos matemáticos complexos, tendo como base a probabilidade de o sinistro ocorrer, o custo médio que as perdas podem atingir, juntando-lhe ainda os custos administrativos, os impostos, a margem do lucro esperado e as reservas técnicas para fazer face a pagamentos futuros, então encontramos o valor a pagar para um determinado risco/seguro a que, tecnicamente, chamamos de prémio!

Não há uma forma simples de explicar o tema visto que, efetivamente, o valor a que as seguradoras chegam não é calculado ao calhas, mas sim baseados na grande lei das probabilidades e tudo o resto que acima referi… se a isto juntarmos os diversos ramos de seguro (automóvel, vida, acidentes pessoais e de trabalho, saúde, etc…) então o problema adensa-se.

Que fatores fazem variar o preço do seguro?

Atualmente contamos com a célebre inteligência artificial que, não só utiliza a fórmula acima, de forma mais rápida, como a consegue ajustar, praticamente, a cada cliente. Tomando como exemplo o ramo automóvel, aquele seguro que (quase) todos temos de ter, hoje tudo conta para calcular o seu valor.

De nada nos vale tentar comparar o custo do nosso seguro com o do vizinho, que até andou connosco na escola e tem um carro igual ao nosso! De uma assentada referi vários fatores que contribuem para o preço do seguro: a idade do condutor, a zona do país onde mora, as caraterísticas da viatura… neste exemplo concreto a coisa até poderia funcionar e, por coincidência, o valor a pagar ser muito idêntico, mas bastará que a idade da carta de condução ou o histórico de sinistros de cada um seja diferente para, no final, o valor a pagar não ser o mesmo.

Coberturas, franquias e letras pequenas

Por fim, as letrinhas miúdas que todos dizem existirem nos seguros! Neste caso refiro-me às coberturas de cada apólice: o que, aparentemente, poderá parecer um seguro igual ao outro, pode garantir coberturas diferentes, tanto no risco que cobrem como no valor que têm disponível para gastar em caso de acidente (o capital seguro)… e isto já para não falar na possibilidade de existirem franquias, ou seja, aquele valor que fica a cargo do cliente quando há um acidente!

Concluindo… bem, bem é, quando precisarmos de um seguro, falar com alguém que entenda da matéria e deixar nas mãos desse profissional a alquimia necessária para que, perante o infortúnio, a receita que ele encontrou permita que tudo corra pelo melhor!

E devemos ainda pensar assim, é melhor pagar um valor mais pequeno agora, para não ter de pagar um valor gigante quando o azar bater à porta, e ele, como temos visto frequentemente nestes últimos tempos, está sempre à espreita em cada esquina!

Até à próxima e, como diz o povo: o seguro morreu de velho!